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My Team Manager

Que dados de um atleta de formação vale mesmo a pena registar

4 min de leitura
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  • dados
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Quem começa a organizar o plantel a sério passa quase sempre pela mesma fase: quer registar tudo. Altura, peso, pé dominante, velocidade nos 20 metros, número de passes certos, avaliação técnica de 1 a 5 em seis parâmetros, notas de comportamento, notas da escola.

Três meses depois, metade dos campos está por preencher e a outra metade está desatualizada. E, pior, o treinador convenceu-se de que o problema foi dele.

Não foi. O problema é que muitos desses dados não tinham utilidade nenhuma para as decisões que um treinador de formação toma de facto.

A pergunta que filtra tudo

Antes de acrescentar um campo à ficha de um atleta, responda a isto:

Que decisão é que eu vou tomar de forma diferente por saber isto?

Se não houver resposta concreta, o campo não entra. Não é sovinice — é que cada campo tem um custo: alguém tem de o preencher, alguém tem de o manter atualizado, e, tratando-se de menores, alguém fica responsável por o guardar em condições.

O que vale mesmo a pena

Identificação e contacto. Nome completo como está no documento, data de nascimento, e dois contactos de encarregado de educação. Isto não é burocracia — é o que permite resolver uma torção de tornozelo às onze da manhã de sábado num campo a sessenta quilómetros de casa.

Validade do exame médico. Não o exame, não o relatório: a data em que caduca. É o único dado desta lista que pode impedir um atleta de entrar em campo, e é justamente o que costuma estar num papel na mala de outra pessoa.

Posição principal e secundária. Duas, no máximo. Em formação a posição não é uma sentença, mas ter registado que o miúdo já jogou a lateral evita a conversa de “alguém aqui já jogou à direita?” cinco minutos antes do jogo.

Número de equipamento e tamanho. Trivial até ao dia em que se entregam os equipamentos.

Presenças. Não a assiduidade calculada em percentagem — só o registo de quem esteve. É o dado que, sem esforço nenhum de análise, responde à pergunta mais frequente das reuniões com pais: “porque é que ele joga menos?”

Minutos de jogo. Em formação, isto é o indicador que mais interessa e o que menos gente aponta. Ao fim de dez jornadas, uma coluna de minutos mostra em cinco segundos se está mesmo a distribuir tempo de jogo ou se apenas tem a impressão de que está.

Notas livres, com data. Um campo de texto por atleta, onde se escreve o que se observou e quando. Vale mais do que qualquer grelha de avaliação, porque não obriga a inventar um número para uma coisa que ainda não se percebeu bem.

O que quase nunca compensa

Grelhas de avaliação técnica com escalas numéricas. Em Petizes a Iniciados, dar 3 em vez de 4 no “passe curto” é quase sempre ruído. A escala não é estável entre treinadores, nem sequer entre dois momentos do mesmo treinador. Consome imenso tempo e não muda uma única decisão.

Medições físicas frequentes. Altura e peso mensais, em idades de crescimento acelerado, produzem gráficos bonitos e conclusões nenhumas. Sem um fisiologista a interpretar, uma medição no início da época chega.

Estatísticas de jogo detalhadas. Passes certos, duelos ganhos, remates enquadrados. Isto exige alguém dedicado a observar em vez de treinar, e num sub-13 a variação de jogo para jogo é tão grande que os números não estabilizam antes do fim da época.

Informação escolar e clínica que não seja estritamente necessária. Notas, diagnósticos, medicação — a menos que exista uma razão desportiva ou de segurança direta e o encarregado de educação a tenha comunicado por escrito, isto é informação sensível de um menor que o treinador não tem por que guardar. Se guardar, passa a ser responsável por ela.

Uma nota sobre dados de menores

Vale a pena dizê-lo sem rodeios: quase toda a gente na formação anda com dados pessoais de crianças em ficheiros Excel no telemóvel, em grupos de WhatsApp e em fotografias de listas manuscritas. É prática corrente e é uma prática má.

Três regras que resolvem a maior parte do risco:

  1. Recolher só o que se usa. É a mesma pergunta do início do artigo, aplicada por outro motivo.
  2. Limitar quem vê. O delegado precisa de contactos; não precisa de ver notas de avaliação. O adjunto precisa do plantel; não precisa dos contactos todos.
  3. Ter um sítio só. Dados espalhados por seis sítios não se conseguem apagar quando o atleta sai — e apagá-los, quando pedido, é uma obrigação, não uma cortesia.

Em resumo

A ficha útil de um atleta de formação cabe num ecrã: quem é, quem contactar, se pode jogar, onde joga, quanto tem jogado, e o que se observou nele ultimamente. Tudo o resto é opcional, e a maior parte é peso morto.

Se quiser ver como isto fica organizado — com permissões diferentes para treinador, adjunto e delegado — pode experimentar o My Team Manager durante 30 dias. A ficha de atleta foi desenhada precisamente à volta desta lista curta, e não da longa.